
Paixão

Ao vento, meu corpo suspendo
Intuito que eternize o momento
Volúpia, densa sensação
Esta, que aflige, a de uma paixão
Atravessa o peito em segundos
Horas parecem segundos
Surreais, dias parecem sonhos
Sonhos parecem reais
Adolescendo como uma onda
Respiro o ar doce novamente
De viver plena e intensamente
Sóbrios, porém ébrios com ardor
Encontro-te fulgás do teu próprio medo
De ver que a paixão um dia se torna amor
Em Busca de Si mesmo

Se um certo "nada" é crescente
Dentro do seu íntimo, dentro do seu ser
Dentro do seu íntimo, dentro do seu ser
Um "nada" que angustia, parte e oprime
Pode ser aí o seu ponto de partida.
O início de uma longa jornada
Onde só você é o peregrino
Pés descalços, sem artifícios
Andar em busca do próprio destino.
Lá, bem longe, ou aqui, bem dentro
Pode estar à espera, colorindo
Uma pérola perdida num labirinto
Onde só você pode encontrar.
Cada qual tem seu jeito, seu caminho
Nas entranhas a existir
Mergulhe, solte-se, fale!
De algumas coisas desista;
De outras insista!
Mortes e nascimentos o esperam
No caminho estreito, só de um,
Tornando-se sujeito de si mesmo
Livre flutue então,
E a pérola colorida, sua será.
Feliz Tempo Novo!

Espreito, encostada na soleira da aberta porta
Toda a vida apressada passar
Lá vejo cheiros e pessoas
Amigos, amores, lembranças
Todos passam e vão-se embora
É necessário ir!
O que se há de fazer?
Junto deles passam os anos
Inquietudes de adolescente
Dúvidas da juventude
Algodão doce, irresponsabilidade
Passam apressados sem saber
Saber aceitar o fim é uma sabedoria
Talvez a mais árdua e pesada...
Mas depois do fim
Há sempre um novo começo!
Lá vem a brisa de um novo tempo
Despontando no horizonte
Já posso sentir seu frescor
Tocando meus cabelos
Junto a mim somente o agora
Abro os braços e deixo escapar
Solto como um pássaro, todo o passado, outrora
Se vão sonhos abandonados
Objetos quebrados
Nada mais é preciso ficar
Tudo passa e vai embora
O que se há de fazer?
Assisto a tudo e posso crer
O Tempo sabe muito mais do que todos nós
Não ouso desobedecer.
Medieval

Em pálidos momentos
Correm como antes
Os tempos vindouros
Castanhos e tristonhos
Nas tardes afins.
Sem lampejo,
Sem audácia,
Correm entre o fogo
Das chamas de um breve beijo
Nas lembranças de mim.
Das chamas de um breve beijo
Nas lembranças de mim.
E o cálice embriagado espreita,
repousa a turva bebida
que ontem cansada abandonei.
que ontem cansada abandonei.
Uma brisa na clara cortina
Esvoaça a densa neblina
De um dia sem fim.
Diário Adolescente

Adalgiza era uma moça singular.
De cabelos cacheados, não gostava de alisar.
Pensava que estar na moda era estar antenada com o seu próprio jeito de andar.
De cabelos cacheados, não gostava de alisar.
Pensava que estar na moda era estar antenada com o seu próprio jeito de andar.
Não gostava da idéia de ficar parecida com as mil garotas do seu colégio!
Gostava de ouvir Elis, enquanto sua turma ouvia Lenny Kravitz.
Dois para lá, dois pra cá , com band-aid no calcanhar e tudo!...
Não se importava com as piadinhas...Afinal, tinha um excelente bom humor!...
Mas só se atrapalhava quando o assunto era tratar das coisas de amor...
-Pronto! - Já dizia. Não preciso de ninguém mesmo!...
-É melhor ficar sozinha!
Mas, no fundo, só ela sabia como e onde doía.
Ver que não conseguia esconder seu interesse e sua timidez
quando se aproximava aquele a quem tinha escolhido para ser o único a estar em todas as páginas de seu diário (com direito a corações flechados e desenhos com suas iniciais).
Mas, mesmo assim, um dia ele a notou e a achou diferente das demais.
Seria o cabelo encaracolado?...
Seria as músicas da Elis?
Não sei...Ninguém sabe...
Só se sabe que amando e sendo amada, é que Adalgiza foi realmente feliz!
Em Algum Lugar

Vinda de um outro lugar
Por suaves brisas trazida
Perdida em seus sonhos aqui chegou
Em sua bagagem, apenas sua essência
Em terras estranhas entrou
Incômoda sensação de não pertencer
No coração e na alma
Uma teia de vida à tecer
Num emaranhado de francas emoções.
Do seu passado, nada a saber
No presente, pés descalços a caminhar
Futuro, apenas incertezas é o que há
Sua mão sobre o peito, sente...
Sua vida a pulsar.
Por suaves brisas trazida
Perdida em seus sonhos aqui chegou
Em sua bagagem, apenas sua essência
Em terras estranhas entrou
Incômoda sensação de não pertencer
No coração e na alma
Uma teia de vida à tecer
Num emaranhado de francas emoções.
Do seu passado, nada a saber
No presente, pés descalços a caminhar
Futuro, apenas incertezas é o que há
Sua mão sobre o peito, sente...
Sua vida a pulsar.
Ciranda dos Ventos

A vida de tão incoerente dói,
De tanto estremecer, destrói
De tanto persistir, corrói
Contínua dança em ciranda
Dos tempos idos e vindos
Do tamanho do instante vivido
A vida vem com o vento
Brisas ou tempestades
E no seu incansável girar
Suporta em seus largos braços,
O presente e o futuro
De quem verdadeiramente ousar viver!
Girassol

De repente gira sol
Gira mundo sem conter
Vira o rosto para a luz
Toda alegria perfura o tempo
Gira minha vida sem saber
Do infortúnio ou da felicidade
No espaço curto de poder
Controlar algum compasso
Gira em torno de mim
A margem de qualquer contratempo
Gira mundo sem conter
Vira o rosto para a luz
Toda alegria perfura o tempo
Gira minha vida sem saber
Do infortúnio ou da felicidade
No espaço curto de poder
Controlar algum compasso
Gira em torno de mim
A margem de qualquer contratempo
Coragem que persegue até o fim
Em suas destemidas voltas
Rodopia em busca do ouro
Em linda dança dourada afora
Não deixe os sonhos partirem
Euforia desenvolta
Companheira do agora
Em suas destemidas voltas
Rodopia em busca do ouro
Em linda dança dourada afora
Não deixe os sonhos partirem
Euforia desenvolta
Companheira do agora
Esfinge

Decifra-me
Ou...
Me perco de vez
Por entre a fumaça do seu incenso...
Que de tão intenso
Como um jovem passado
É consumido em pouco tempo
Separa-se
Em divididas parte iguais
Para que nada de ti possa perder
Diga-me
Palavras sinceras de puro encanto
Compostas em suaves canções para entreter
Componha-se
De nuvens pálidas,
que lentamente se pôem a flutuar
Lisas, tênues e acolchoadas
Para que, em mistério delirante, possam me confortar
Ou...
Me perco de vez
Por entre a fumaça do seu incenso...
Que de tão intenso
Como um jovem passado
É consumido em pouco tempo
Separa-se
Em divididas parte iguais
Para que nada de ti possa perder
Diga-me
Palavras sinceras de puro encanto
Compostas em suaves canções para entreter
Componha-se
De nuvens pálidas,
que lentamente se pôem a flutuar
Lisas, tênues e acolchoadas
Para que, em mistério delirante, possam me confortar
Luz e Sombra

Na claridade vejo meus poros
Na sombra, minhas ilusões
Figura e fundo...
Casca e Miolo...
Na luz vejo meus olhos
No escuro, meus fantasmas
Sem me distorcer em vultos
Enxergo melhor em luzes apagadas
Na solidão, o espelho é visível
Repentina, toda claridade me cega
O ouro em pó se derramou
Percorrendo os vãos da escada
Quem sobe, sem medos, enfrentando seu próprio breu
Reluz, cintilante, adentro madrugada.
Junto ao Ipê

Junto ao Ipê amarelo te espero
Juntos no amargo regresso
Nos galhos molhados de sereno
No suor amargo, doce veneno
Juntos a cada hora da partida
Corro contra o vento do tempo, denso
No chão, áspero e úmido piso
Soltos depois do abraço intenso
No ar fica o teu inebriante perfume
Anos passam, mas ainda me habita
Todo aquele olhar de insustentável encanto
E o calor surreal das tuas mãos trêmulas
Flores solitárias caíram silentes
Algo se perdeu no ar,lúgubre, doente
Suspensa em hiatos, sem nenhum adeus ,
Respiração calada, velada e convergente.
Juntos no amargo regresso
Nos galhos molhados de sereno
No suor amargo, doce veneno
Juntos a cada hora da partida
Corro contra o vento do tempo, denso
No chão, áspero e úmido piso
Soltos depois do abraço intenso
No ar fica o teu inebriante perfume
Anos passam, mas ainda me habita
Todo aquele olhar de insustentável encanto
E o calor surreal das tuas mãos trêmulas
Flores solitárias caíram silentes
Algo se perdeu no ar,lúgubre, doente
Suspensa em hiatos, sem nenhum adeus ,
Respiração calada, velada e convergente.
Memórias

A uma amiga poeta
Contrariando o seu curto recado
Persisto em não te abandonarSentada ao meio fio, junto ao sereno
À espera de tudo recomeçar
Insisto no não ter fim
Em não deixar tudo acabar
Escolho o infinito, mudo
O peso, sufocante, da pata de elefante
Desejando mais que uma noite
Quero, de volta, a manhã a me abraçar
Depois das curvas tênues do rosto
Onde as lágrimas, cansadas, se deixam secar
Ainda seguro o retrato em preto e branco
E vejo o colorido das roupas que vesti
Minha memória, fiel, não me trai
Vejo todos, ainda, sorrindo, alí...
Letras Dançantes

De manhãzinha quando volto a acordar
Embalada pelo fino canto dos pássaros
vejos os sonhos de ontem voltarem...
Sonho como antes não sonhei...
A cada dia, amanheço, aprendendo melhor este ofício
Solto, então, os pássaros contidos em mim,
para que eles voem aonde eu não posso ir!
Assim alcanço toda plenitude
De um céu com algumas nuvens,
O redondo branco contido nelas me seduz...
Embalada pelo fino canto dos pássaros
vejos os sonhos de ontem voltarem...
Sonho como antes não sonhei...
A cada dia, amanheço, aprendendo melhor este ofício
Solto, então, os pássaros contidos em mim,
para que eles voem aonde eu não posso ir!
Assim alcanço toda plenitude
De um céu com algumas nuvens,
O redondo branco contido nelas me seduz...
Se barreiras houvessem não suportariam
A força de um vôo libertador
Aonde ninguém jamais alcança
Somente a minha mão quando enlaça uma caneta
e desenha letras dançantes num papel.
Sentidos

Comungo com a vida
O imenso desejo de liberdade
Santifico em seu altar
A intensa luz do amanhecer
Sorrindo como criança em cada espaço
Refazendo-se em cada abraço
Na sutileza de começar a ser
Singular afeto sentido
No doce momento de ouvir e ver
Sentido alado, mente vã
Corpo nu na claridade lilás
Flores dedicadas, pétalas espalhadas
E um levitar com gosto de hortelã.
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