Fugitivos


Seus contornos me rodeiam
Num espécie de raro torpor
Jorram palavras não ditas
Desejando a frase quase maldita

Em ti, com tonturas, encontro
Algo similar que temia perder
Te encontro, sem nitidez, antes da minha partida
Sem perceber...

E agora, o que fazer?
Se antes do claro amanhecer
Um amor, bêbado, nos flagrou?

Lá fora, a vida aflita devora
Cada pedaço perdido do desvario
Ofegante respiração entrecortada...
Lembranças, bruscas, fragmentadas...

Uma mera coincidência de amar
No espaço, num instante de olhar
Juntos, medo de perder...
Separados, medo de encontrar...

2 comentários:

José Rodrigues (JR.) disse...

linda poesia a sua. Preciso le-la uma segunda vez, ela está carregada de sentimentos e belos versos...
"A hora da chegada é a mesma da partida", como canta o milton nascimento.
gostei muito desta estrofe: "lá fora a vida aflitica devora..."
a vida passa, o tempo voa, e o que fica de cada sentimento vivido, de cada acontecimento sentido? a lembrança. uma mera imagem, sons, palavras fragmentadas... as lembranças são o que ficam, mas são como meros acontecimentos despotados, a nos dizer que o que foi não voltará e o que hoje é, um dia irá.

um abraço, jose (JR.)

se der faz uma visita em meu blog. pode comentar, criticar... que eu ficarei muito feliz. com tempo voltarei para ler e fazer mais alguns comentários. até mais

http://experimentandoversos.blogspot.com

Feänor disse...

Belo retrato da dicotomia paradoxal do amor!

Este é um de seus poemas de que eu mais gostei... Um forte conteúdo emocional! Muito bom... muito bom mesmo.

Ah, e sobre sua pergunta... Eu não entendo nada de escolas literárias, e embora seja vergonhoso admitir, não tenho nem idéia de quando o romantismo terminou - se é que ele terminou, nem sei em que período literário nós estamos.

Porém, posso lhe dizer que cheguei ao mundo em 1984, tendo agora meus 23 anos completos...

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